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ELES ODEIAM OS JORNALISTAS...

Em tempos de magreza na economia do país, no emprego, na saúde, na educação, no orçamento familiar, na segurança, na ética, nos bons costumes..., que pode a comunicação social esperar de bom?...

Perante o domínio crescente de castas políticas medíocres que mais parecem hordas em permanente conquista de território e riqueza para si e os seus, que sobra do festim dos príncipes? As migalhas? Não; essas rapam-nas os lambe botas, convencidos de saborear um manjar.

O que verdadeiramente sobra, é a dignidade dos resistentes, dos que recusam a vilipendia perante ícones serôdios que jogam a democracia do faz-de-conta - apoiada no abuso despudorado sobre um povo de mitigada cultura, bem intencionado e de brandos costumes.

Na comunicação social, com acento tónico na local, a vida não é boa nem má. É o que é. E sabe-se quão deprimida e de credo na boca ela vive.

À crise nacional sobreveio a mundial, sendo que esta deu alento e asas à anterior. Estava assim "encontrada a razão" para o sufoco de quem contradita, dos que pensam, dos que são capazes de dizer "Não"!

Dizia Voltaire: "A liberdade não é mais que uma ilusão, mas essa ilusão é necessária para manter-nos em estado de crer e agir".

O "Matosinhos-Hoje" nasceu há 16 anos, não é assim? Pergunto: quantas vezes o jornalista Joaquim Queirós, sentiu na pele a ilusão da liberdade editorial plena?...

Certamente deu consigo a balbuciar maquinalmente outra verdade do filósofo iluminista francês: "Não sei como penso, mas sei que nunca pensei sem o auxílio dos meus sentidos."

Claro, meu caro resistente, sem o auxílio dos sentidos, da razão que a razão desconhece, a comunicação social estaria resumida a uma acção do tipo “jornalista cão de colo” ou “cão de guarda”, como disse Larry Sabato.

"Eles" odeiam o jornalismo "vira latas", que lhes esventra a vida depravada, o compadrio com os gangsters do betão e da caliça, as negociatas, a corrupção... E por isso, amigo Queirós, lá temos que abraçar a tal ilusão, para que os nossos jornais, as nossas revistas, as nossos rádios, não acabem no limbo.

Você, Joaquim Queirós, diz ter investido as poupanças de toda uma vida no "MH", por amor à sua terra. Não tenho por onde duvidar; aliás, conhecendo-o bem, nunca duvidaria. Mas meu caro, nunca pensou que… "Bem pobre é quem se põe sozinho diante do infinito?"(Voltaire)

E agora vamos ao trivial mas Sentido: Parabéns Matosinhos-Hoje!

Por: João Lourival

Letras Soltas

Não quero fazer de Michel de Nostredame, mais conhecido sob o nome de Nostradamus - era só o que mais faltaria! Nem sequer de Zandinga, o mais emblemático “bruxo” do luso futebolês.

Mas, ou me engano muito, ou as associações culturais concelhias têm os dias contados. Refiro-me, claro, às actividades próprias, e às teatrais por maioria de razão. E, neste caso, com uma excepção para os “amadores” ligados às paróquias, abençoados pela graça “divina” e a protecção dos saiotes pastoris. E ainda bem, porque será o que vai ficar de 102 anos de produção (amadora) de Teatro, em Matosinhos...

Este legado profético - não liguem ao palavrão... - confundirá uns e provocará a “hábil” contestação de outros. Deixá-lo. É a minha opinião e isso basta-me.

Mas não ficaria bem dispensar a fonte deste pessimista presságio cultural e teatral. E ela brota já evidente na política traçada para o “novo” Constantino Nery. Um “mistério” a ir desvendando...

Mas nem tudo são máscaras “dramáticas”. Na próxima segunda feira, uma máscara “risonha” estará presente na sessão solene do nosso Aurora da Liberdade. Vai-se anunciar o início da obra de alindamento do Teatro de Bolso, prometida há dois anos e meio atrás. E quando o pano de cena reabrir, oxalá em cima das tábuas se encontrem os que simbolizam 102 anos de vida dedicados à Arte de Talma. Por amor, apenas por... Amor ao Teatro e à sua terra.

Por: João Lourival

fonte: MatosinhosHoje


 

   
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